Monday, February 06, 2006

A Caçadora de vingança

-Aaaaaaaiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Aquele grito ecoou durante a noite. E permaneceu assim durante muito tempo até calar quando o dia já raiava. Ninguém sabia! Ninguém disse que ouviu! Preferem ficar com os seus ouvidos mocos a darem uma atenção. Assim são os covardes da vida! Sem destino certo... sem uma razão! Sem envolvimento aparente... todos, já sem coração.
O corpo de Ondina foi limpo como deveria ser. E Ondina, esfriando na cama, não poderia conhecer o fruto daquele ódio que a manteve engasgada durante os nove meses de gestação. Ondina fora estupradapela sua sorte de ser empregada, na vida, rejeitada. Acuada pelo patrão! E o lençol vestiu Ondina, pela última vez!
O tempo passou! Emmanuele cantou parabéns, assoprou sua vela de dez e sumiu nos encantos da noite, sua amiga preferida. Emmanuele! Esquisita? Não! Claro que não! Emmanuele era levada... brincando de se esconder, mais nada! O porque do porque de se ficar perguntando:- Por onde anda essa menina? O que ela faz? E porque essa sina? Emmanuele era apenas uma menina!
E novamente o tempo passou! Agora dezoito, a menina cresceu e desabrochou!
Emmanuele fazia na cidade, a alegria! Emmanuele despertava a cobiça em todo homem que a conhecia. E a inveja das mulheres, ela sabia! Sabia, no entanto, que o seu corpo teria um dono. Cabia a ela mantê-lo intacto para ele. E quando ela se pegava na cachoeira, tomando banho, sentindo prazer, passando a mão por entre os seios, em suas coxas, lavando a alma, Emmanuele prometia ao vento, o seu tormento, um dia acabaria. E ficaria finalmente libertada de sua sina, e ser amada! Mas antes...Emmanuele tomou sua última decisão, precisava viajar. Precisava encontrar o tal sujeito, que de sua mãe, foi o patrão. E arrumando suas coisas na valize, deu as costas pra vida, deu adeus para todos, se despediu da bondade, da lealdade, da caridade, em cima da marquise, o lugar mais alto, onde podia ver o pôr-do-sol. Os seus dias agora, seriam só noites, seriam só mortes. Seriam sós.

Jaguaraúna, 15:30 hs – Embarques e desembarques no portão.

A moça da sacola, um livro e nenhuma emoção! Andando , dando tratos à bola, ignorou galanteios, parou no passeio e, localizou a sua estada. Uma casa de má fama, um bordel, um puteiro, e sabe-se lá o que mais poderia associá-lo, ao seu descaso, ao seu fracasso, a casa da mãe Joana!
Emmanuele, bacana! Um top, mini saia e meia de rendinha. Cabelos ao vento, batom e unhas de um vermelho gritante, um sorriso importante, a bolsinha nas mãos. -Quanto, gostosa? – Perguntava o cidadão.
-Pra você é de graça, se me deixar com tesão! – Respondia a ninfa, caçadora de vingança!
E o coitado do homem, feinho que dói, ficando pelado, conseguia ser mais triste do que desgraça em quantidade! Que maldade! Emmanuele ignorou-o por completo. Fez deitar aquele dejeto e, arrancou-lhe de sua vida vazia. Fez ele gosar mais do que devia. O homem se acabou por exaustão! E esse foi o primeiro, um desconhecido. Se, pensava que não poderia, ali estava a resposta... Emmanuele, a gostosa, a fogosa, a tinhosa, ninfa, a caçadora de vingança! Da antiga Emmanuele... só lembrança!
E assim foi mais três ou quatro, antes de viesse a ser uns oito ou nove. Todos felizes, todos de sorte, todos enxergando a Deus, todos esperando a morte!
Emmanuele partiu pra fazenda, queria ser a dama de companhia, daquela senhora bondosa, mulher daquele homem horrendo! Queria escutar o silvo de uma cobra em sua jugular do que possuir o corpo sujo de um homem fedendo. O homem que um dia até poderia chamá-lo de pai! Mas não! Não aquele! Aquele jamais conseguiria perdoar. Emmanuele foi o júri e agora era o juiz. Aquele homem teria que pagar pelo seu erro, pelo seu pecado... Aquele homem teria que sentir medo, muito medo!

- Então... eis-me aqui! A sua empregada. Sua mais nova contratada, eis-me aqui!
- Belíssima! Maravilhosa! Escandalosa de tão linda! Divina, uma rainha!
-São apenas os seus olhos... patrão! O senhor é que é bonito! Um garanhão!
- Você ainda não viu nada... o tamanho... da minha vontade!
- Vi não! Mas... se o senhor, quiser me mostrar, to lá nos fundos, no fundo do saguão!
O homem envolveu suas mãos com as suas mãos. Deu um pulinho no ar, encostou seus calcanhares, deu dois passinhos pra cá e dois passinhos pra lá, assoviou, cantou em espanhol, socou o ar. Mostrou até enxergar a felicidade onde não tinha.
Beijou o Zeca, filho da cozinheira, que gracinha! E foi pro seu quarto se arrumar. Precisava tirar o futum, queria impressionar! Aquela diva... aquela deusa... aquela ninfa!
Emmanuele tapou, os bicos dos peitos, com dois aderentes, aqueles com penduricalhos. Sua calcinha, só mostrava a frente. À parte de trás, era um convite pro... Caramba! Como ela estava bonita! Com ligas pretas e um chicote na mão... Foi quanto pela porta entrou aquele homem, que ela conhecia como patrão. De cuecas largas, camiseta, meias pretas e chinelão.
O homem, parecia alucinado! O membro firme tal qual a um cajado. Avançou sedento pra Emmanuele, que se posicionou aberta para ele. Mas, na hora, disse: “Não!”. Ainda teriam que namorar, brincar, curtir, falar, ouvir dizer: “Ainda te amo” (pai) ou “Eu amo você!” (minha filha). Só que isso não aconteceria, já era tarde, o brilho da lua na noite luzia. Era chegada a hora! Emmanuele, segurou seu chicote, e amarrando o sexo do homem, que gemia, puxou-o secamente, fez-se um estalo no ar, o sangue correu, o homem gemeu e Emmanuele segurou aquilo que voava em direção a sua mão. O homem gemeu mais então. Era o pênis junto ao saco, os cabelos e o asco, e eram os nervos e os músculos, o homem sorria e nada sentia. Emmanuele rebolava, o homem chorava, ela gemia e ele grunhia. Emmanuele ladeou-o e virando seu corpo nu, pegou aquele membro, ainda duro e enfiou...

-Aaaaaaiiiiiiiiiiiiii!!!!!!!

Aquele grito ecoou durante a noite. E permaneceu assim durante muito tempo até calar quando o dia já raiava. Ninguém sabia! Ninguém disse que ouviu!
Preferem ficar com os seus ouvidos mocos a darem uma atenção. Assim são os covardes da vida! Sem destino certo... sem uma razão! Sem envolvimento aparente... todos, já sem coração.
Emmanuele cuspiu em cima do seu perdão...
Emmanuele pensou em chamar de pai aquele pobre cidadão.
Emmanuele pegou suas coisas e voltou para a estação.
Emmanuele se transformou em um mito:
A caçadora de vingança, a que matou o seu pai, o seu patrão!

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