Wednesday, February 01, 2006

Coisas da vida - Um conto real.

Tarde de sábado – 28 de janeiro de 2006. – BH.

Parece um Deja-vu! Coisa estranha. Duas vezes a mesma cena. Porque será que isso acontece? Será que acontece com todo mundo? A luz no fim do túnel. Será que vou ter que esperar mais nove meses pra reaver a luz no fim desse túnel? E eu pensando que já estava velha com os meus dois meses de idade. Que já sabia tudo, de toda a maldade do mundo. Engano meu! E de quem acredita que, ter cem anos de vida, está vacinado contra as barbáries. Que ter, ao menos, os glorificados cinqüenta, está a salvo das intrigas da vida! Eu vou chorar! Não é assim que se aprende a pedir? Quem sabe, se alguém me ouvir, possa até me recolher, me adotar. E com o seu amor, tentar me amar. Será que sou feia? Será que o meu confinamento é só porque sou uma mulher? Não! Não pensarei assim. Seria cruel! Seria maldoso! Apesar de não compreender as atitudes humanas. Aquela mulher, que eu achava a mais linda das damas, que me ensinava a chamá-la de mãe. Quem era ela? O que foi, que ela fez? Chamou-me de “droga”. Enquanto nessa pouca existência, tudo o que eu fiz, foi deixá-la um pouco mais feliz, mesmo que, por pouco tempo. Eu precisei miar como um gato. Eu precisava chamar a atenção de alguém que tivesse um coração cristão. Que se apiedasse de um pobre saco preto de lixo, boiando dentro da lagoa da Pampulha. Esse é o nome. Projeto lindo, Oscar Niemeyer! Com tantas ênfases e ênfases. Agora eu... quem é que sou? Quem me conhece? Espera aí, tem um buraquinho aqui no saco. Está entrando uma leve brisa... agora, enfim, eu posso ver um pedacinho do céu. E o céu é azul! Eu vejo anjos... eles estão sorrindo. Estão me conduzindo. Ora, estão me levando para a margem. O que é isso? Um pedaço de pau. Alguém está puxando o saco. A luz! Que claridade! O que faço agora? Eu vou chorar, eu vou sorrir. Não! Eu vou agradecer esse nascimento outra vez! Obrigado, Senhor! Eu sei, que pelo menos você, jamais me abandonou! O meu nome, agora vou dizer: é Maria Leticia, muito prazer!

Agradecimentos a José da Cruz, um heroi brasileiro!

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