O Templo do Horror
Tic-Tac -Tic-Tac -Tic-Tac -Tic-Tac -Tic-Tac…
O tempo que passa é o tempo que ruge, é o tempo que mata, é o tempo que surge, é o tempo que fere, é o tempo que cura, é o tempo amigo, é o tempo bandido, é o tempo... tic-tac tic...é o tempo...tic-tac...
Meus olhos se abriram dentro da noite... dentro do quarto... dentro do escuro! E a garganta estava seca. Dolorida! Há quanto tempo? Quantos dias mais por aqui? Quantos...?
Os braços presos sobre a cabeça. Os pulsos feridos de tanto roçar na corda. Há quanto tempo? Responda...
Não! Não havia condições... nem sei ao certo aonde estou. Nem o que sou, pra onde vou... E o que será de mim?... O que será, e será! Mesmo assim...
Havia nevado pela manhã. O vento gelado, perpetuava o frio do inverno, não deixando que o sol aquecesse a paisagem branca, que disponibilizava aos meus olhos, àquela hora do dia!
Eu estava sozinho e confuso. Queria ter alguém por perto. Queria falar, sorrir de alguma coisa, queria um amor, queria um amigo! Queria ser gente de novo... queria voltar. Mas, não podia. Eu não sabia...
Por isso, eu sai da cabana. E andei durante horas a fio tentando encontrar um lugarejo, ou uma vila, um bom barzinho e me encharcar, após beber um bom punhado de cafés! Sentia-me triste! Sentia-me só!
As horas eu não me lembro mas, confesso que eu mesmo não me importava. Parecia ser meio dia, ou uma da tarde, sei lá!
Eu encontrei na estrada, o Juvêncio. Menino pobre, analfabeto, um indigente! Vivendo aqui e acolá. O que comia os restos... e sempre, de pés descalços. Naquele dia, cobertos de panos e jornais. Realmente, estava frio!
- De onde você vem, Juvêncio? Existe alguma coisa pra lá? – Perguntei, apontando a direção.
- Sei não, senhor! To vindo do rio, pra lá é deserto!
E dei de ombros, voltando a caminhar. Passei pelo paiol abandonado. Andei nos campos congelados. Em todos os lugares... E nada havia ali!... A não ser eu.
A não ser o caminho. Aquele caminho iria dar em algum lugar. Só precisaria seguir em frente... e escutar o meu coração... o bum-bum bum-bum do meu coração.
Que estranho! Eu sigo em frente, mesmo não querendo andar. Alguma coisa me chama. Agora eu tenho um rumo, um lugar aonde ir! E seguir, é o meu destino...
Uma casa, um templo, um mausoléu! O que era afinal? O que, em nome de Deus, abria seus braços pra mim, convidando-me para entrar? Porque seu clamor a invadir os meus sentimentos, transformando os momentos em um único tormento... o do horror!
- Calma, cacete! Eu já vou... eu... já vou!- Fiquei irritado. – Mas... eu não quero ir...
E olhando de baixo pra cima, aquele imenso santuário negro e imponente, com seu telhado pingando o ódio, a agonia, me senti diminuto... me senti alimento!
E a grande boca, me mostrou a sua língua... já morta!
A porta se abriu, pra revelar todo o horror de cento e vinte e dois anos de sofrimento. O cheiro ácido da vingança. O arrependimento de estar inerte, plantada no esquecimento de sua vida, vivendo do corte da carne ferida, apodrecendo... entregue a sua sorte!
O salão era âmbar, os detalhes em vermelhos, as escadas, uma de cada lado, pareciam seus dentes a sorrir pra mim. Eu estava em seu íntimo! Eu deslizava em seu seio. Aquele tapete me dava as boas vindas.
Eu apazigüei minha intolerância. E me senti o seu filho! Senti-me em paz...
O vento que se fez presente, anunciou a despedida! Era o hálito forte, trazendo o meu passado, minhas memórias. A riqueza do que ainda não possuía. Nenhuma certeza, nenhuma alegria, nenhuma pureza da minha alma, só a vida vazia! Só a vida que eu tinha. Que era quase nada... que era indiferente. Eu estava sozinho e confuso. Queria ter alguém comigo. Queria falar e sorrir, de qualquer coisa, queria um amor, queria um amigo! Queria ser gente de novo... Queria agora estar longe daqui! E distante do inimigo... mas, eu me sentia em paz!
Uma dor dilacerante! E tudo ali dentro escureceu, Foi uma pancada, estou me lembrando... alguém por trás apareceu. E arrastou-me assoalho pra lá, deixou-me no chão. Arrastou-me assoalho pra cá, levou-me ao porão...
O quarto que agora me encontro. O lugar que me fez esquecer... do tempo que eu tinha lá fora... e, que provavelmente, não tornaria mais a ver...
Tic-Tac -Tic-Tac -Tic-Tac -Tic-Tac -Tic-Tac…
O tempo que passa é o tempo que ruge, é o tempo que mata, é o tempo que surge, é o tempo que fere, é o tempo que cura, é o tempo amigo, é o tempo bandido, é o tempo... tic-tac tic...é o tempo...tic-tac...
Os olhos se abriram dentro da noite... dentro do quarto... dentro do escuro! E a garganta estava seca. Dolorida! Há quanto tempo? Quantos dias mais por aqui? Onde estavam as respostas? – Tirem-me daqui!
Os braços presos sobre a cabeça. Os pulsos feridos de tanto roçar na corda. Há quanto tempo? Responda...
Não! Não havia condições... nem sei ao certo aonde estou. Nem o que sou, pra onde vou... E o que será de mim?... O que será, e será! Mesmo assim...
Uma nesga de luz! A porta se abriu... Ah! Finalmente, alguém me achou, desvirginou a escuridão. Era o menino Juvêncio! Menino pobre, analfabeto, um indigente! Vivendo aqui e acolá. O que comia os restos... Sempre, de pés descalços. Sorria pra mim!
Sorrindo veemente... os seus olhos esbranquiçados, olhar de demente, sem um futuro, sem um passado. Babando por cima de si. Eficaz e eloqüente! Trazia na palma da mão uma faca, trazia no peito um desejo: ele iria me matar, com certeza, e matar sua fome, ele iria me devorar... ainda vivo!
Havia nevado pela manhã. O vento gelado, perpetuava o frio do inverno, não deixando que o sol aquecesse a paisagem branca, que disponibilizava aos meus olhos, àquela hora do dia! E foi essa minha última lembrança, quando ainda me permitia, desejar um grande amor, desejar uma amizade e ter nessa vida alguma alegria!
O convite! O menino fazia parte da cena. Parte do templo... de todo o meu horror, do dissabor de ser o resto!
Agora, o que eu sentia, era a fria lamina da faca a deslizar sobre o meu peito aberto. E eu, sob as dores intensas, trincando os meus dentes, ainda assim, pude ver e ouvir, o desafinar do meu coração...
bum-bum bum-bum bum-bum bum-bum!!!
Foi quando a luz da minha vida... se apagou.
bum-bum.............. bum-bum...............bum.................b...

0 Comments:
Post a Comment
<< Home