Quando o arrependimento chega tarde!
Depois...
Cela 23 – Prisioneiro 6201 – Um lápis e um pedaço de papel
“Apesar de nunca ter te amado, só agora percebi o quanto você era importante em minha vida. E, o quanto eu estava errado! Se eu te fiz sofrer... Desculpe-me! O seu perdão, eu sei que jamais vai me dar”.
– Entrega pra mim! – Disse, dobrando o papel.
- De novo? Por que você faz isso, todo dia? Ela vai rasgar mesmo! – Respondeu o guarda.
Antes...
O dia nasceu claro e bonito, depois da chuva que caíra durante a noite passada. Parecia que o ar havia se renovado. E, não existia resquícios de poeira na atmosfera.
A porta se abriu de repente, Luzia estava terminando de escovar os seus dentes quando Walter apareceu no banheiro, agarrando-a por trás...
- Solte-me, Walter! Que foi? Ta pirado?
- Eu quero transar! – Disse o homem, cambaleando, tentando se manter seguro de si.
- Você está bêbado! Onde passou a noite? Na gandaia, por aí?
- Es... queça isso! Eu to afim... de transar!
- Me larga... Pare com isso! Vê se toma um banho! Você ta com um cheiro...
Luzia tentou se afastar, mas... Walter a empurrou de encontro a pia...
- Você... é a minha mulher! Eu preciso... desafogar...
- Você é louco! – Disse, empurrando ele de volta. Só que... Walter conseguiu fazer com que Luzia escorregasse, quando tentou passar por cima das pernas dele. E Luzia caiu, entre o corredor e o quarto, batendo a cabeça na quina do guarda-roupas.
- Pare, Walter! Pelo amor de Deus! – insistia em gritar, limpando o sangue que corria em sua testa. Luzia estava imobilizada pela força brutal do seu marido. Sua calcinha, fora arrancada em um movimento estúpido, machucando-a visivelmente em sua virilha. – Pare com isso, pelo amor de... – E Luzia não pode completar. O tapa que levou no rosto, fez com que se detivesse para não ter que sofrer mais.
Foi quando ela, se arrastando pelo chão, conseguiu chegar até perto da cama. O sapato de Walter, virou a sua defesa! E golpeou-o! Uma, duas, três vezes... até quando ele começou a bater nela como se fosse um outro homem. Walter não mediu a sua força...
A cortina da janela balançou na cozinha da casa ao lado. Dona Francisca já não agüentava mais ouvir aqueles gritos desesperados de Luzia. Pegou o telefone e, discando para a policia, relatou o que estava acontecendo... e, não era a primeira vez!
A porta da sala se abriu violentamente! O policial correu para o quarto... E chegando lá, ainda pode ver o homem ejaculando sobre a barriga de Luzia. O seu sangue, coagulava pelo chão. Ela, havia desmaiado!
Dona Francisca se aproximou, quando Luzia deu sinal que estava restituindo a sua lucidez! A dor na cabeça era grande. A dor em sua alma era imensa! Mas, a dor no coração... esse já não doía mais!
Sala de audiência!
-O senhor foi sentenciado a quatro anos de prisão em regime fechado. E por se tratar de reincidência, foi negado qualquer possibilidade de hábeas corpus! Podem levá-lo!
- Luziaaa!! Luziaaa!! Me perdoa... por favor, Luzia! Me perdoaaaa!
- A senhora tem algo a dizer? – Perguntou o juiz, olhando para a mulher. – A senhora sabe, de que é a única que pode ajudá-lo nesse caso... Quer dizer alguma coisa, antes que o levem?
Luzia retirou os seus óculos escuros. Foi quando Walter percebeu o que fizera com ela. Os hematomas, a lembrança do sêmen e do sangue, todos com gosto de ódio e rancor! Luzia nada disse. Apenas, deu as costas pra Walter. Ali estava um homem, que ela nunca conheceu...
Depois...
"Quando o arrependimento chega tarde... não há o que se possa fazer! Por favor, me perd..." – Walter não pode concluir o que escrevia. A ponta do lápis quebrou. E o papel... se rasgou com o tempo.
Aquele telefonema da vizinha, salvou Luiza de sua mais terrivel condição: Viver com o inimigo dentro de sua própria casa.
Denuncie você tambem!
Fim.

1 Comments:
Tá devagar aqui hein...
Vamos animo grande Wilson, precisamos dos seus contos!!!!!
Abraços
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